Brasil na OCDE: benefícios ou perdas para o país?

Por Michelle Fernandes, CEO da M2Trade e especialista em Comércio Exterior

Na recente visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, um dos assuntos discutidos com o presidente americano Donald Trump foi o acordo para o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE. A notícia foi recebida com certa preocupação e cautela pelos especialistas de comércio exterior, que já avalia os possíveis riscos deste trato feito entre os governantes.

O que já foi exposto até o momento é que o acordo tem como objetivo incluir o Brasil na OCDE e, em contrapartida, o país perderia o tratamento especial que recebe junto a OMC – Organização Mundial do Comércio por ser classificado como país em desenvolvimento.

A OCDE é sediada na França, em Paris, foi fundada em 1961 e reúne atualmente 36 nações que estão entre as consideradas mais ricas do mundo. Fazer parte deste “time” pode ser visto com bons olhos, pois estaríamos mais expostos e ao lado de grandes potências, fato que iria atrair investimentos externos com maior facilidade.

É preciso avaliar quais são os benefícios deste apoio recebido dos Estados Unidos e o que está por trás dessa indicação do Brasil na Organização uma vez que a ação pesará diretamente no relacionamento do país com a OMC, o que pode ser vislumbrado como uma barreira no comércio exterior brasileiro. Além disso, é necessário analisar se o Brasil teria condições de estar entre os maiores PIBs do mundo. E se esse crescimento seria sustentável.

Vale lembrar que, somente o apoio dos EUA não é suficiente para adesão do Brasil na organização e que o pedido oficial foi feito no ano de 2017.

Mesmo sem a presença na OCDE, no final de 2018 foi noticiado que o comércio exterior do Brasil apontou a maior taxa de crescimento entre os países membros do G-20 no terceiro trimestre do ano passado. Ou seja, estamos avançando nesta área sem regredir, sem concessões.

É preciso expandir nossas alianças comerciais com cautela para não darmos dois passos para trás e somente um para frente, contrariando a lógica do progresso.