China supera os EUA como maior investidor no Brasil, revela Boletim do Ministério da Economia

Comex do Brasil

A primeira edição do Boletim de Investimentos Estrangeiros no Brasil – Países Selecionados, divulgada nesta terça-feira (23) pelo Ministério da Economia, envolvendo a China, Estados Unidos, Japão, França e Itália, revela que entre os meses de março de 2003 e 2019, em valores investidos, a China supera os Estados Unidos e aponta que os investimentos chineses corresponderam a 37% do total investido no Brasil por esses cinco países, com um total de US$ 71 bilhões.

No período, os investimentos americanos totalizaram US$ 58 bilhões, apesar do maior número de projetos. Em terceiro lugar o documento menciona os investimentos japoneses, fortemente influenciados pelos resultados de 2011.

Ao divulgar o Boletim, o Ministério da Economia destacou que a divulgação do Investimento Estrangeiro no Brasil, que era feita em boletins até 2018 apenas com dados sobre a China, foi ampliada e, a partir de agora, inclui projetos de outros quatro países: Estados Unidos (EUA), Japão, França e Itália. As informações – com a mesma metodologia desenvolvida anteriormente para mapear os investimentos – estão no Boletim de Investimentos Estrangeiros – Países Selecionados, publicação trimestral cujo primeiro número, referente ao período de janeiro a março de 2019, foi lançado nesta terça-feira.

Elaborado pela Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o documento está disponível para leitura e download em português e inglês. A escolha dos países foi baseada no fato de a Camex ter Memorandos de Entendimento e de Cooperação com esses cinco países. O boletim coleta uma amostra dos investimentos em fontes variadas e, ainda que possa não refletir a totalidade dos investimentos destes países selecionados, indica em linhas gerais a tendência do Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil entre 2003 e o primeiro trimestre de 2019.

Números

No primeiro trimestre deste ano, foram confirmados oito projetos de investimentos no Brasil nos setores de energia renovável, indústria, comércio eletrônico, logística, software e robótica. Três deles somam um investimento de US$ 859 milhões. Os demais não tiveram os valores divulgados.

O boletim indica que, ao longo dos 16 anos da série considerada (de 2003 ao 1º trimestre de 2019), o Brasil recebeu investimentos desses cinco países em 1.167 empreendimentos, que somam US$ 187 bilhões. A maior parte – 852 projetos, com volume de US$ 154 bilhões – em projetos brownfields (ampliação ou reformulação de projetos já existentes).

O meio de entrada mais utilizado pelos investidores são fusões e aquisições, o que reflete clara entrada de investidores externos como controladores de grandes empresas brasileiras e, por consequência, o baixo ritmo de ampliação da capacidade produtiva. Os projetos estão fortemente concentrados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

EUA e China predominam

O boletim reúne informações sobre a distribuição setorial dos investimentos por país de origem do capital no Brasil. São considerados empreendimentos greenfield os projetos em que o investidor aporta recursos na construção de novas estruturas necessárias à operação, ou seja, não se baseiam em ativos preexistentes. Já os projetos brownfield são investimentos em empreendimentos preexistentes, ou em um projeto a ser desenvolvido ou atualizado.

No período considerado, o número de projetos de empresas americanas foi predominante, com mais de 40% do total dos cinco países. Em segundo lugar estão os investimentos japoneses, correspondentes a quase uma quarta parte do total. Os projetos chineses vêm em quarto lugar, logo após os franceses.

Já em valores investidos, a China supera os EUA. Entre 2003 e março de 2019, os investimentos diretos chineses corresponderam a 37% do total desses cinco países, com US$ 71 bilhões. Os dos EUA foram de US$ 58 bilhões, apesar do maior número de projetos. O terceiro lugar é dos investimentos japoneses, fortemente influenciados pelos resultados de 2011.

Com informações do Ministério da Economia