Dramaturgo espanhol estréia na Funarte

Espetáculo  Teto e Paz, em cartaz nesse final de semana, expõe vivências de ex-meninos de rua com força e poesia

DSC_8682O diretor e dramaturgo espanhol Carlos Laredo traz a Brasília o espetáculo Teto e Paz, que será encenado nesta sexta-feira, sábado e domingo, 2, 3 e 4 de junho, pela Cia Hispano-brasileira La Casa Incierna, no Teatro Plínio Marcos, da Funarte. O espetáculo mostra a vivência de jovens ex-moradores pelas ruas de Brasília, com eles próprios interpretando suas personagens, ao lado de três atores profissionais e do rapper GOG, em participação especial, cantando raps de sua autoria.

Carlos Laredo, 46 anos, nascido em Madrid, formado em Artes Cênicas, vive em Brasília há três anos. Em Madrid, criou e dirigiu o Festival Teatrália de teatro infantil. Foi com a atriz brasiliense Clarice Cardell o precursor do gênero “teatro pra bebês” na Espanha, levado depois a várias cidades da Europa e do Brasil.

Teto e Paz, segundo Laredo, é uma experiência de como sobreviver na vida com alegria e máxima intensidade, “como se fosse o último dia da sua vida”, a partir de relatos que ouviu. Antes de idealizar o espetáculo, o dramaturgo visitou abrigos de ex-meninos de rua do Distrito Federal, com quem fez entrevistas, se aproximou e os chamou para o teatro. Meninos sofridos, principalmente de Ceilândia, Taguatinga e Samambaia – que são cidades do DF – dos quais ouviu histórias, durante longo processo, e apresentou o projeto teatral.

Sonhos e desenhos de uma juventude marcada por profunda insegurança social estão representados no palco. Há três anos, Laredo faz teatro de denúncia e consciência sobre a vida de meninos em situação de risco, com eles próprios relatando suas vivências de abandono familiar e pelo Estado. Meninos que não sabem como será o seu dia de amanhã.  Desta vez são cinco adolescentes no palco, “pessoas que ficaram em situações de risco de vida, de extrema vulnerabilidade, desamparo, violação de direitos”, explica o diretor.

A seu ver, trabalhar com esses jovens é uma aprendizagem: “por detrás de cada um deles existe um herói de uma guerra silenciada nas periferias das cidades”. Exemplifica: “um garoto de oito anos de idade, mora na rua com a mãe consumidora crack, que é presa. Fica só, sem ter o que comer ou como sobreviver. São pessoas que passaram por muitas dificuldades, desde cedo, desde nascimento e quando chegam aos 18 anos… sobreviveram a tantos desafios… que não consigo imaginar se eu conseguiria eu sobreviver a essas histórias”.

Laredo entende que “os pobres e pretos são os maiores alvos de violência e perseguição”, Indagou a um dos meninos o que gostaria de ter na vida, a  resposta foi “teto e paz”, daí o título do espetáculo. O dramaturgo comenta que “por trás da vivência sem direitos básicos e amparo de pai e mãe, e do contato com a morte desde muito cedo, há grande potencial nesses meninos, gerado pela relação forte e trágica com a vida”. A atriz Clarice Cardell diz que a “o espetáculo traz emoção e confronto entre a poesia e a realidade”.

 Teto e Paz estreou com sucesso este mês em Samambaia (DF). É patrocinado pelo FAC/DF e foi selecionado para integrar a programação do Festival Cena Contemporânea 2017, que deverá acontecer no final de agosto e início de setembro próximos.  O projeto de Carlos Laredo dá sequência à experiência de Meninos da Guerra, realizada em julho de 2015, com 22 jovens e quatro artistas profissionais. O espetáculo, que lotou as salas de teatro de Brasília e Ceilândia, provocou uma reviravolta na vida dos meninos e estimulou cinco deles a serem atores.

 TETO E PAZ – Na Sala Plínio Marcos/Funarte-DF: 2 e 3 de junho às 20h, e no dia 4, às 19h, com ingressos a R$10  e R$20. Classificação indicativa: a partir de 12 anos. Patrocínio: FAC/DF. Apoio: Pizza à BessaLa Boutique Padaria FrancesaAicon ações Cinematográficas. Facebook: Meninos da Guerra. 

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