Escócia irá preparar legislação para referendo de independência antes de 2021, diz premiê

Primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon 24/04/2019 REUTERS/Russell Cheyne

Reuters

A Escócia precisa promover um referendo de independência antes que o atual mandato do Parlamento escocês termine, em maio de 2021, e vai preparar uma legislação para que isso ocorra, disse a primeira-ministra Nicola Sturgeon, nesta quarta-feira.

“Uma escolha entre o Brexit e um futuro para a Escócia como nação europeia independente deve ser oferecida durante a vigência deste Parlamento”, disse Sturgeon ao Parlamento escocês.

Ela afirmou que um projeto de lei deve ser elaborado até o fim de 2019.

A permissão do Parlamento britânico não seria necessária no momento, disse Sturgeon, embora seja indispensável posteriormente “para superar qualquer dúvida ou desafio sobre nossa capacidade de convocar um referendo de independência”.

A premiê está sob pressão de seu movimento nacionalista para viabilizar um caminho que dê continuidade ao pedido por uma Escócia independente.

Entretanto, o Reino Unido atravessa um caos político devido ao Brexit e ainda não é certo como, quando ou até se a separação da União Europeia vai acontecer.

A Escócia, parte do Reino Unido há mais de 300 anos, rejeitou a independência com uma margem de 10 pontos percentuais em um referendo de 2014.

Diferenças sobre o Brexit dividiram o Reino Unido. A Escócia e a Irlanda do Norte votaram a favor da permanência no bloco europeu em referendo de 2016, ao passo que o País de Gales e a Inglaterra votaram pela saída.

Quem é a favor de manter o Reino Unido argumenta que o Brexit não mudou o modo como os escoceses se sentem e a votação de divórcio não deve ser repetida.

No entanto, Sturgeon alegou que deixar o maior bloco comercial do mundo põe o bem-estar econômico do Reino Unido e da Escócia em perigo.

“Corremos o risco de sermos forçados ao limite, deixados de fora com um Reino Unido que é cada vez mais marginalizado no cenário internacional. Em contraste, a independência nos permitiria proteger nosso lugar na Europa”, disse ela.

“Precisamos de uma base mais sólida na qual possamos construir nosso futuro como país.”