Moçambique: apoios para prevenir desastres são ‘insuficientes’

Em Moçambique, o Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou nesta quarta que mais de 200 pessoas morreram e 350 mil “estão em situação de risco”

Notícias ao Minuto Brasil

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, José Pacheco, considerou nesta quarta-feira (20) insuficiente os apoios internacionais ao país para prevenir desastres naturais, como o ciclone Idai que atingiu a zona centro.

No seu discurso, sem nunca se referir especificamente ao Idai, no primeiro dia da conferência Sul-Sul da Cooperação que acontece na capital argentina, o ministro moçambicano lamentou também a falta de acesso a tecnologias, como barreiras marítimas, para diminuir o impacto de ciclones e tempestades.

“Há desafios prevalecentes em muitos países em desenvolvimento, particularmente nas nações africanas, referentes ao financiamento inadequado para aumentar o investimento social e econômico”, mas também um “limitado acesso à tecnologia para prevenir desastres naturais”, ressaltou o ministro moçambicano, em um dia em que o seu país enfrenta uma tragédia que pode causar milhares de mortos.

José Pacheco elogiou a Cooperação Triangular como um valor acrescido à cooperação entre os países, mas salientou que esses desafios exigem recursos financeiros.

“Os desafios exigem de nós um esforço conjunto para fortalecer a cooperação Sul-Sul, alavancando, assim, os recursos disponíveis para os países em desenvolvimento para melhor atender à Agenda de Desenvolvimento Sustentável de 2030”, pediu.

O ministro explicou que o setor chave de Moçambique, um dos que mais iniciativas de cooperação recebeu, é a agricultura, coluna vertebral da economia moçambicana, responsável por 24% do PIB e por empregar 70% da população.

José Pacheco deu três exemplos de cooperação que o país reconhece como os mais importantes – China, Brasil e Vietnã – todos com financiamento e transferência de tecnologia.

“Moçambique foi o primeiro país em instalar um Centro de Demonstração de Tecnologia Agrícola (ATDC), financiado pela China, onde os especialistas moçambicanos e chineses têm trabalhado lado a lado para impulsionar a produtividade da agricultura no país”, disse.

“Outro ator de destaque da Cooperação Sul-Sul e Triangular em Moçambique é o Brasil, que financiou, em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, na sigla inglesa), a construção e instalação do primeiro Banco de Leite Materno no país”, explicou, salientando que o projeto incluiu a transferência de tecnologia brasileira e marcou um progresso sem precedentes para reduzir a mortalidade materna, neonatal e infantil.

No caso do Vietnã, o apoio ajudou a aumentar os níveis de produtividade em arroz e vegetais, explicou o ministro.

Em Moçambique, o Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou nesta quarta que mais de 200 pessoas morreram e 350 mil “estão em situação de risco”, tendo decretado o estado de emergência nacional. O país vai ainda cumprir três dias de luto nacional, até sexta-feira.

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilômetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes na quarta maior cidade do país sem energia e linhas de comunicação.

A Cruz Vermelha Internacional indicou que pelo menos 400.000 pessoas estão desalojadas na Beira, em consequência do ciclone, considerando que se trata da “pior crise humanitária no país”.