Turismo, economia e sustentabilidade

 Marx Beltrão

Os indicadores da atividade turística no mundo, crescimento de 4,4% do ano passado e mais de 1,2 bilhão de pessoas viajando pelo mundo, segundo a Organização Mundial de Turismo, não deixam dúvidas sobre a importância deste setor para as economias dos países.

No Brasil, o setor de viagens e turismo é responsável pela geração de mais de 3 milhões de empregos e representa 3,7% do Produto Interno Bruto. É uma atividade que tem impacto em mais de 52 segmentos da economia, gerando demandas para o setor de serviços e também para a indústria.

São dados que dão a dimensão da força do turismo no país. A atividade ganha cada vez mais espaço na economia dos estados. Por isso, o Dia Mundial do Turismo, comemorado neste dia 27 de setembro com o tema Turismo Sustentável – Uma Ferramenta para o Desenvolvimento, ganha contornos ainda mais especiais para os nordestinos.  Pesquisa do Ministério do Turismo mostra que a região será o destino de mais da metade dos brasileiros que pretendem viajar nos próximos meses.  Viagem, além de trazer felicidade, significa movimentação econômica e geração de emprego e renda para as populações que recebem os turistas. Temos aí a vertente econômico/social do turismo sustentável.

Cada vez mais municípios querem agregar o turismo às suas atividades econômicas. Tanto, que o recém lançado Mapa do Turismo Brasileiro 2017, ferramenta que orienta a formulação de políticas de turismo, foi ampliado em mais de 50%, incorporando destinos e regiões que apostam no turismo como estratégia de desenvolvimento.  O Nordeste que tinha 489 cidades na versão do ano passado, hoje tem 758, um crescimento de 55%, motivado pelo empenho dos gestores de turismo dos estados e municípios que acreditam na capacidade transformadora deste setor.

Com o turismo no foco do desenvolvimento, as capitais nordestinas ampliaram em quase 10% sua oferta de leitos no período de cinco anos. É um fato que faz com que em períodos como o Carnaval e feriados prolongados a ocupação hoteleira nas maiores cidades da região fique entre 70% e mais de 90%.

Porém, enganam-se aqueles que pensam que um destino turístico nasce naturalmente ou que os atrativos do meio ambiente, culturais ou arquitetônicos, abundantes nos estados do Nordeste, são suficientes para transformar um lugar num destino. É preciso envolver toda a comunidade, garantir infraestrutura, qualificar o atendimento. Um processo longo e continuado, que não ocorre do dia para a noite. Pelo contrário.

Agora nosso desafio é fazer com que o turismo seja uma atividade sustentável no país. No Ano Internacional do Turismo Sustentável, a Organização das Nações Unidas nos alerta sobre uma postura mais responsável em relação aos nossos destinos, calcada no tripé social, ambiental e econômico. Em um país como o Brasil, considerado o número um em atrativos naturais pelo Fórum Econômico Mundial, é compreensível que a dimensão da preservação do meio ambiente surja com ainda mais força.

Tenho certeza que, juntos – iniciativa pública e privada – podemos realizar um trabalho onde todos ganham: os turistas vivem experiências incríveis, os nordestinos têm seus empregos e renda garantidos e a natureza, que nos abençoou com um cenário paradisíaco, se mantenha preservada para futuras gerações.

Marx Beltrão é  Ministro do Turismo e deputado federal licenciado